Sete horas da manhã. Escuta o celular tocar. Não dormiu nada essa noite. A companheira levanta pra desligar o celular, e depois o embrulha, que finge estar dormindo.
Talvez a presença dela foi a causa da falta de sono. Não que fosse algo ruim, mas seu inconsciente queria mante-lo acordado para que não perdesse nenhum momento ao seu lado. Logo após finge acordar e abraça-a bem forte. Permanecem assim por mais uma hora. Parecem recém casados em lua-de-mel.
Levantam, mais um abraço e vão para o banho juntos. Trocam caricias, beijos. Voltam para o quarto. Ele a enxuga e então ela deita sobre a cama e o puxa. Ele beija-lhe os seios e então ela pede mais e transam ávidos.
Se arrumam e vão para o desjejum. Olha rápido, mas não tem muita coisa para comer. Leva-a até a padaria mais próxima. O clima parece de interior, algumas poucas pessoas pelas ruas, não muito quente e um lindo céu azul com algumas nuvens. Pede um salgado, pão doce, alguns biscoitos e suco de laranja, industrializado.
Está muito feliz, como a muito tempo não tinha estado - a ultima vez que lembra estar assim foi ainda pequeno em uma viagem com os pais, num sitio com igarapé - Ela sorri e ele sente um aperto forte no coração, de felicidade. Conversam um pouco e então leva-a até uma parada de ônibus.
- Não parece mais que estamos no interior, com tantos carros agora passando.
- Mais ainda parece que vamos à praia - Diz ela.
Ele sorri. Lá vem o ônibus. Ela faz sinal, o beija e entra.
Ele volta pra casa, pega um filme, coloca no aparelho de DVD e assiste. Depois que termina, vai almoçar. Já são 13h30.
Liga o computador, checa os emails. O celular toca, olha o numero e atende:
- Alô?
- Ei, tu não vem? - Pergunta a outra pessoa na linha.
- Vou. To saindo.
Era uma velha amiga ao telefone, o chamando para o almoço de aniversario.
Chega à casa dela, encontra alguns amigos do tempo de colégio:
- Pensei que tu nao vinha mais. Ia te buscar em casa. Vem, bora almoçar - Fala a aniversariante
- Já almocei. - Diz ele.
Ela dá uns tapas em seu braço e diz:
- Por que tu nao almoçou comigo? Hein? - Ela briga. Ele apenas sorri.
Conversa então com os colegas e enfim o sono aparece. Sente-se como um zumbi, respondendo no automatico. Todos conversando e ele perdido em seus pensamentos, ainda lembrando da noite que teve. Dá um pequeno sorriso. Passa algumas horas e se despede. Combinou de ir à igreja com a namorada, mas sabe que chegando lá não irá.
Pega um onibus, está cheio e vai em pé. Nota que a maioria dos passageiros vem da praia, estão bronzeados e ainda molhados. Escuta uns berros dos passageiros, pois o motorista passou da parada solicitada. Um dos passageiros bate na caixa acima da porta e ele perde o sono novamente.
Dá o sinal.
- Fiquei doente. - Diz ela, quando ele entra no quarto.
- Vou cuidar de você. - diz ele sorrindo. Dá-lhe um beijo.
Conversam algumas coisa e ela sai pro banho.
- Trouxe uns filmes. Vamos assistir Genio Indomavel, é com Matt Damon e Robin Williams. - diz ele, reparando nela com um short azul desbotado e uma blusa preta, simples e mesmo assim encantadora pra ele.
- Tá bom, vou fazer pipoca e comprar uma coca. - Diz ela.
O filme começa e assistem abraçados, deitados na cama.
O personagem do filme, um psicologo, que durante o tempo de faculdade era o mais inteligente entre o grupo de amigos, deixou de ir ao maior jogo esportivo para sair com a garota que pensava ser sua alma gemea, e era. Agora os outros amigos pensavam ser ele um fracasso, pois nao conseguiu sucesso como os outros. Ele diz ao seu paciente, e agora amigo, que não se arrepende. Tomou a decisão certa.
- Ele diz coisas lindas. Te adoro, amor - Diz ela, virando pra ele.
- Também te adoro, amor. - Ele fala.
- Você tá feliz?
- Tô. E você? - Ele responde.
- Muito.- Fala ela, sorrindo.
Ele repara em eu rosto e vê que ela tem um sorriso lindo. Já tinha reparado isso, mas agora era um sorriso penetrante. Então voltam-se para o filme. Temina. Ela coloca outro. O sono bate.
- Você se importa se eu dormir? - Pergunta ele.
- Não, pode dormir um pouco.
Termina o outro filme. Ele nao dormiiu, apenas cochilou rapido. Olha a hora:
- Tá na hora de eu ir.. - Enfim fala.
Ela o abraça bem forte.
- Adorei a noite. Temos que ter mais noite assim. - Diz ela.
- Também adorei. Vamos ter. - diz ele dorrindo. Um sorriso já meio forçado pelo sono.
Ela leva-o até a esquina, e então ele segue até a parada, o onibus já vem passando, faz sinal e entra. Onibus cheio novamente, mas logo consegue um assento ao fundo, no canto direito, perto da porta. Observa ao seu redor.
Nota que de todos os que estão em pé, apenas um passageiro é mulher, que logo senta atrás dele. Vê um casal com os dois filhos, provavelmente vindos da igreja, o marido com quatro biblias e um pequeno caderno à mão. Logo sente como se fosse personagem do conto de Murilo Rubião, Os Comensais, e agora fizesse parte dos demais companheiros de viagem, solitarios, perdidos em pensamentos, preocupados com o amanhã. Mas ele não está preocupado. Apenas cansado. As ruas estão desertas naquele domingo, a exceção dos poucos bares de esquinas, com alguns poucos bebados dormindo sobre à mesa, outros conversando trivialidades e outros "costurando" a rua de volta pra casa.
Ante de descer, faz uma observação rapida da rua a procura de alguem suspeito. Tudo tranquilo, desce e caminha até casa. Abre a porta e vai pro quarto. Deita na cama, pensa sobre o dia. Está muito feliz, teve um dia ótimo. Sorri. Liga o celular, brinca um pouco com um jogo, que sempre lhe dá sono, e adormece.