quarta-feira, 28 de julho de 2010

Pensando o Futuro

Ele deitou sobre o peito dela, com sono, cansado. Ela está certa em dizer que onde ele deita, ele quer dormir.
Os dedos dela passeavam entre os seus cabelos.
- Vou fazer o projeto da nossa casa. Quero uma casa de dois andares, não precisa ser grande, mas quero que no térreo fique a sala e a cozinha, em cima nosso quarto com o banheiro lá. Não quero banheiro ao lado da cozinha! Não sei por que insistem em colocar o banheiro do lado da cozinha! O banheiro quero espaçoso, não gosto de banheiro muito pequeno. O que você quer?
- Uma banheira! - Disse ela.
- Por isso o banheiro vai ser espaçoso. Pra ter a banheira. Pra descansarmos e aproveitarmos...
Risos.
- E vai ter uma sacada. Gosto de sacada. Saindo do nosso quarto. Vai ter um carpete  e terá almofadas pra ficarmos deitados sentindo a brisa a tarde...
- Mas tem que ter rede!
- Vai ter também, não se preocupe. E vai ter nela também aquela luminaria que você achou bonita.
Por um instante ficou silencio, apenas os suspiros, a respiração dos dois.
Ele gosta quando ela massageia seus cabelos, sente uma paz, segurança e... sono!
- Pois é, amor.. - Disse ele quebrando o silencio - A cozinha não vai ser nem muito grande nem muito pequena, vai ter um balcão e uns banquinhos, e uma pequena adega.
- Ah, amor.. quero uma sala de jantar. Acho chique! - Ela fala, rindo.
- Tá bom. Resolvo isso aí... A sala vai ter, alem do sofá, assim como a sacada, carpete e almofadas pelo chão.. acho legal ficar deitado no chão vendo filme, por isso o carpete e as almofadas. No sofá fica estranho, torto...
- E vai ter aqueles vasos marajoaras lindos na sala também. -  Completou ela.
- Sim sim, vai ter. Ah, e não podemos esquecer nosso jardim. Não muito grande, mas nele vai ter aquela área circular, que nem lhe falei, feita em mosaico, pra colocarmos uma mesa e cadeiras.
- Podemos tomar café lá?
- Claro que podemos.. e vamos! E vamos almoçar lá aos fins de semana. E no resto do jardim será grama, uma grama daquele verde bonito, com algumas plantas bem legais.. aí ficaremos aos fins de semana, depois do café da manha, sentados lado a lado, observando a paisagem...
- Você disse que não gosta de escada na sala, por que a gente passa de toalha pela sala e tal..Mas como o banheiro ficará em cima, então a escada ficará na sala mesmo, dando direto pro nosso quarto. Aí quando chegarmos em casa, começamos na sala, vamos fazendo na escada.. até chegarmos no quarto! O que acha? - Perguntou ele.
Ela deu um sorriso largo e concordou com a cabeça.
Ficou um silencio e então ela falou, finalmente:
- Ah, amor. Não esqueça de fazer uma sala pra você, seu ateliê. Faço questão que tenha seu ateliê de pintura. - Disse ela.
- Não se preocupe. O ateliê será a mesma sala de leitura. Acho que não tem problema. De um lado minhas coisas e do outro vai ter as estantes com nossos livros e uma poltrona bem confortável pra você ler. Aí, a pinto enquanto você lê, bem acomodada. Gostou das ideias?
- Adorei!
Os dois continuaram em silencio e enfim adormeceram.

sábado, 24 de julho de 2010

Volta as aulas!

Chegou as ferias e voltei a escrever aqui no blog. Me senti feliz. 
Mas agora minhas aulas estão voltando, ainda falta uma semana, mas como acabou o dinheiro, então praticamente foi-se as ferias, agora só programa free! rsrs








"Professores chamam isso de 'cola', nós chamamos de trabalho em grupo!"

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Fééérias.


Tão merecidas férias!


Pena que já estão acabando.. "/
Mas vamos aproveitar!!!

Acaso

Depois de se arrumar as pressas, pois estava atrasado para a Faculdade, Tomas saiu em direção a parada de onibus, vestido com uma calça jeans, tenis e uma camisa de botão azul sobre uma branca básica. A uns poucos metros da parada de onibus, o viu já parado, fez sinal para o motorista, que para surpresa de Tomas, o esperou. Na roleta, deixou algumas moedas cairem, juntou, entregou ao cobrador e olhou rapidamente, meio sem graça, para os passageiros. Então, notou um semblante conhecido entre os que estavam sentados. Uma mulher de longos cabelos, de um vermelho intenso brilhando devido o sol que adentrava o veiculo, vestida em um blazer e com uma grande bolsa sobre o colo.
Logo que a viu, ela sorriu. Ele se aproximou, ela pediu a mochila para segurar, já que o onibus já não tinha mais assentos livres.

- Oi! - Disse ela, com um sorriso estonteante.
- Oi, Stephanie. Quanto tempo, hein?! Só assim pra gente conversar mesmo. A ultima vez também foi no onibus a um ano atrás. - Disse Tomas.
Uma coisa que ele sempre admirou em Stephanie foi o sorriso. Realmente um sorriso lindo. Os dois estudaram juntos no ensino médio, e também comemoraram juntos a aprovação no vestibular. Ela passou em Pedagogia, sonhava ser professora, cuidar de crianças e ensina-las. Mas conseguiu um estagio num banco, logo após foi contratada, casou e largou a faculdade. Ele passou em Matemática, na mesma faculdade e continua estudando lá.

- Como você tá? - Perguntou ela.
- To ótimo, como sempre! E tu, como estás? - Disse ele sorrindo.
- É, tu sempre tá feliz, tenho inveja de ti por isso. Mas eu to bem.
- Legal! Como tá o casamento?
- Quer um conselho? Não casa! Não ainda, tu é novo, vive mais um pouco. Não que seja ruim, na verdade é muito bom, mas é porque é barra casar ainda novo, sem ter uma estabilidade ainda. Primeiro se forma, arranja um emprego e quando tu achar que está bem, aí casa!
- Eu te avisei pra não casar ainda!
Ela riu.
- Eu sei! E não pretendo casar, não ainda. Casar eu quero.
- Ah, compramos um carro. Qualquer dia vou te fazer uma visita.
- Sério? Legal. Tá bem lá no banco?
- É. No inicio era chato, mas a gente aprende muita coisa, mas sinto falta do curso. Gostava de dar aula, mas o dinheiro é melhor no banco.
Ela falava agora com um semblante triste e olhar ao fundo. Ele sabia que ela gostava muito da sala de aula, e que isso a atormentava, gostava mais das salas de aula do que o banco, sem duvida. Mas o dinheiro fala mais alto. Uma pena.

- Sinto falta dos meus alunos, meus filhos... Mas me fala sobre você! Continua fazendo Matematica? Nao desistiu nao né?!!! - Falava Stephanie já com o sorriso no rosto novamente.
- Não nao! Vou me formar. Quero ser professor. Gosto de dar aula, de ensinar.
- Que bom! Não perca isso.
- Não vou!
- Ei, hoje vou passar na tua casa, depois da academia, pra te buscar pra gente conversar melhor.
- Vou esperar! Eu sei que tu não vai, mas vou esperar mesmo assim! - Brincou ele.
- Ôoo, eu vou. Dessa vez eu vou! - Insistiu Stephanie
- Tá bom, acredito.
- Mas e o coração? Como é que tá? Tá namorando?! - Perguntou ela.
- Mais ou menos.
- Tá enrolado?!
- É.
- Só não casa! - Brincou ela.
- Tá bom.
Os dois riram e conversaram durante quarenta minutos. Até chegar a parada de Tomas. Ele deu um beijo na testa de Stephanie, se despediu e desceu.
Naquele dia Tomas teve um dia cheio. Prova, alguns trabalhos pra apresentar na faculdade, chegou muito cansado em casa. Stephanie foi a maior amiga que ele fez no ensino médio, na escola. Ele diz que ela foi responsavel pelo amadurecimento dele. O fazia pensar, porque ela indagava demais.
Naquela noite, ele a esperou. Mas ela não apareceu, ele quis ligar, mas preferiu que o acaso fizesse o reencontro um outro dia qualquer.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"Na Primeira Manhã"

Sete horas da manhã. Escuta o celular tocar. Não dormiu nada essa noite. A companheira levanta pra desligar o celular, e depois o embrulha, que finge estar dormindo.
Talvez a presença dela foi a causa da falta de sono. Não que fosse algo ruim, mas seu inconsciente queria  mante-lo acordado para que não perdesse nenhum momento ao seu lado. Logo após finge acordar e abraça-a bem forte. Permanecem assim por mais uma hora. Parecem recém casados em lua-de-mel.

Levantam, mais um abraço e vão para o banho juntos. Trocam caricias, beijos. Voltam para o quarto. Ele a enxuga e então ela deita sobre a cama e o puxa. Ele beija-lhe os seios e então ela pede mais e transam ávidos.
Se arrumam e vão para o desjejum. Olha rápido, mas não tem muita coisa para comer. Leva-a até a padaria mais próxima. O clima parece de interior, algumas poucas pessoas pelas ruas, não muito quente e um lindo céu azul com algumas nuvens. Pede um salgado, pão doce, alguns biscoitos e suco de laranja, industrializado.

Está muito feliz, como a muito tempo não tinha estado - a ultima vez que lembra estar assim foi ainda pequeno em uma viagem com os pais, num sitio com igarapé - Ela sorri e ele sente um aperto forte no coração, de felicidade. Conversam um pouco e então leva-a até uma parada de ônibus.

- Não parece mais que estamos no interior, com tantos carros agora passando.
- Mais ainda parece que vamos à praia - Diz ela.

Ele sorri. Lá vem o ônibus. Ela faz sinal, o beija e entra.
Ele volta pra casa, pega um filme, coloca no aparelho de DVD e assiste. Depois que termina, vai almoçar. Já são 13h30.
Liga o computador, checa os emails. O celular toca, olha o numero e atende:
- Alô?
- Ei, tu não vem? - Pergunta a outra pessoa na linha.
- Vou. To saindo.
Era uma velha amiga ao telefone, o chamando para o almoço de aniversario.

Chega à casa dela, encontra alguns amigos do tempo de colégio:
- Pensei que tu nao vinha mais. Ia te buscar em casa. Vem, bora almoçar -  Fala a aniversariante
- Já almocei. - Diz ele.
Ela dá uns tapas em seu braço e diz:
- Por que tu nao almoçou comigo? Hein? - Ela briga. Ele apenas sorri.
Conversa então com os colegas e enfim o sono aparece. Sente-se como um zumbi, respondendo no automatico. Todos conversando e ele perdido em seus pensamentos, ainda lembrando da noite que teve. Dá um pequeno sorriso. Passa algumas horas e se despede. Combinou de ir à igreja com a namorada, mas sabe que chegando lá não irá. 
Pega um onibus, está cheio e vai em pé. Nota que a maioria dos passageiros vem da praia, estão bronzeados e ainda molhados. Escuta uns berros dos passageiros, pois o motorista passou da parada solicitada. Um dos passageiros bate na caixa acima da porta e ele perde o sono novamente.
Dá o sinal.

- Fiquei doente. - Diz ela, quando ele entra no quarto.
- Vou cuidar de você. - diz ele sorrindo. Dá-lhe um beijo.
Conversam algumas coisa e ela sai pro banho.
- Trouxe uns filmes. Vamos assistir Genio Indomavel, é com Matt Damon e Robin Williams. -  diz ele, reparando nela com um short azul desbotado e uma blusa preta, simples e mesmo assim encantadora pra ele.
- Tá bom, vou fazer pipoca e comprar uma coca. - Diz ela.
O filme começa e assistem abraçados, deitados na cama.
O personagem do filme, um psicologo, que durante o tempo de faculdade era o mais inteligente entre o grupo de amigos, deixou de ir ao maior jogo esportivo para sair com a garota que pensava ser sua alma gemea, e era. Agora os outros amigos pensavam ser ele um fracasso, pois nao conseguiu sucesso como os outros. Ele diz ao seu paciente, e agora amigo, que não se arrepende. Tomou a decisão certa.

- Ele diz coisas lindas. Te adoro, amor -  Diz ela, virando pra ele.
- Também te adoro, amor. - Ele fala.
- Você tá feliz?
- Tô. E você? - Ele responde.
- Muito.- Fala ela, sorrindo.
Ele repara em eu rosto e vê que ela tem um sorriso lindo. Já tinha reparado isso, mas agora era um sorriso penetrante. Então voltam-se para o filme. Temina. Ela coloca outro. O sono bate.
- Você se importa se eu dormir? - Pergunta ele.
- Não, pode dormir um pouco.
Termina o outro filme. Ele nao dormiiu, apenas cochilou rapido. Olha a hora:
- Tá na hora de eu ir.. - Enfim fala.
Ela o abraça bem forte.
- Adorei a noite. Temos que ter mais noite assim. - Diz ela.
- Também adorei. Vamos ter. - diz ele dorrindo. Um sorriso já meio forçado pelo sono.
Ela leva-o até a esquina, e então ele segue até a parada, o onibus já vem passando, faz sinal e entra. Onibus cheio novamente, mas logo consegue um assento ao fundo, no canto direito, perto da porta. Observa ao seu redor. 
Nota que de todos os que estão em pé, apenas um passageiro é mulher, que logo senta atrás dele. Vê um casal com os dois filhos, provavelmente vindos da igreja, o marido com quatro biblias e um pequeno caderno à mão. Logo sente como se fosse personagem do conto de Murilo Rubião, Os Comensais, e agora fizesse parte dos demais companheiros de viagem, solitarios, perdidos em pensamentos, preocupados com o amanhã. Mas ele não está preocupado. Apenas cansado. As ruas estão desertas naquele domingo, a exceção dos poucos bares de esquinas, com alguns poucos bebados dormindo sobre à mesa, outros conversando trivialidades e outros "costurando" a rua de volta pra casa.

Ante de descer, faz uma observação rapida da rua a procura de alguem suspeito. Tudo tranquilo, desce e caminha até casa. Abre a porta e vai pro quarto. Deita na cama, pensa sobre o dia. Está muito feliz, teve um  dia ótimo. Sorri. Liga o celular, brinca um pouco com um jogo, que sempre lhe dá sono, e adormece.